Venon – "A partir de hoje nós somos veneno para você"

Como já havia dito em uma postagem anterior, em relação aos personagens de histórias em quadrinhos, desde pequeno eu nutro grande predileção pelos vilões. Sempre achei, mesmo sem saber ao certo o real significado da expressão, que a psiquê deles era muito mais complexa e atrente do que a dos patéticos mocinhos. São os vilões quem conferem graça às histórias com os seus planos de dominação ou, por vezes, aniquilação do mundo.

Certo é que, mesmo entre os vilões existem personagens ruins, que foram mal concebidos como o Orka, por exemplo, e aqueles que sempre me chamaram mais a atenção. É o caso do Venon.

Posso afirmar sem medo de errar, que durante toda a minha adolescência eu preferi às histórias do Aranha em que ele enfrentava o seu inimigo simbiótico.

Naquela época nenhum outro personagem era tão legal quanto o Venon. Suas habilidades, tramas, paranóias, frases… tudo nele era legal, não simplesmente por ele ser o reflexo distrocido do Homem-Aranha. Não! Ele tinha uma personalidade própria que o distingüia dos outros vilões. Quando o Aranha enfrenteva o Venon ele sabia que iria penar, que não era mais um maluco fantasiado e com poderes ridículos quem estava na frente dele. Tanto isso é verdade, que em muitas revistas o heróico aracnídeo, ao saber que teria de enfrentar o Venon, tratava de correr ao Edifício Baxter para pedir ajuda ao Quarteto Fantástico.


Desde a sua concepção, muito do personage foi se modificando. No início, nosso vilão era retratado mais como um psicótico, complexo e obssessivo com roupa especial do que como um personagem novo. Com o passar do tempo os roteiristas acertaram na mão ao retratar o Venon como sendo um personagem diverso de Eddie e de seu simbionte.
Este personagem magnífico foi um dos meus favoritos até a banalização da sua essência com o famigerado arco “Planeta dos Simbiontes“, que fez surgir uma pá de outros simbiontes obtidos a partir dos genes do Carnificina (o segundo vilão simbiótico do universo Marvel, filho do “outro” do Eddie Brock e que se mesclou ao DNA do maníaco Cletus Cassidy) sem que esses possuíssem o mesmo brilho e integralidade que o primogênito. No decorrer desse arco de história, Venon assume uma posição bastante interessante, ele deixa de ser um vilão e passa a defender o american way of life. Terrível é o melhor predicado que se pode arrumar para definir esta maldita estratégia da Marvel, que só serviu para jogar no lixo uma vida inteira de bons maus antecedentes.

Como se pode perceber, durante muito tempo Venon não passou de uma mercadoria negociável sem que houvesse preocupação com a sua imagem e passado. Exemplo disso pode ser constatado pelo simples fato de que até então nunca havia sido feita uma figura de ação que contivesse todos os seus elementos característicos – a escala maior do que a do Homem-Aranha, os dentes pontiagudos e irregulares, a língua para fora da boca e retorcida e, principalmente, com a baba verde escorrendo – de modo a agradar os fãs mais xiitas (como eu, por exemplo). Vários fiascos foram produzidos, bonecos sem alma e que pareciam que tinham sido produzidos por alguém com a intensão de irritar os colecionadores.

Para não ser injusto de tudo, a versão que mais agradou, apesar de ser alternativa, foi justamente a lançada pela “Toy Bis” em decorrência da série “Planeta dos Simbiontes“. A figura foi chamda de “Venon the Madness” e caracterizava um personagem grande, corpulento, com uma língua enorme para fora da boca e, para por tudo a perder, com várias cabeças e braços saltando do simbionte. Haja paciência!!!

Com a adoção do padrão “Marvel Legends“, aguardei, tal como muitos colecionadores, o lançamento de uma figura capaz de fazer jus ao Venon, mas nada ocorreu. Durante este período três bonecos do vilão foram feitos, sendo que a primeira, sem muita mobilidade, apresentava um Venon não totalmente coberto pelo uniforme alienígena, mas com uma escala e escultura razoáveis; o segundo, com escultura e pintura péssimas, porém com maior número de pontos de articulação; por fim, a terceira, foi lançada no pack do “Sexteto Sinistro“, e foi o derradeiro fiasco, já que a cara do personagem (sem língua e com dentes perfeitamente alinhados) era ridícula.

A prova de que Deus existe e que ele respeita muito aficcionados por figuras de ação e quadrinhos veio com o quarto boneco feito após a adoção do padrão “Legends“, na série “Amazing Spider Man

Um Venon feito em tamanho ideal e com escultura, pintura e caracteriazação primorozas. Os produtores conseguiram, inclusive, encontrar um número equilibrado de pontos de articulação de modo a preservar a aparência do personagem.

Sem esquecer qualquer manifestação anterior de orgulho de minha parte por ter conseguido comprar determinada figura de ação rara, a aquisição desta deve ser muito festejada pelo fato de que finalmente a equipe de produção acertou na mão ao lançar esse novo Venon. Por isso, se o amigo é colecionador de Marvel e procura de uma versão deste inimigo para preencher o espaço vazio na coleção, sugiro esta última sem qualquer tipo de restrição.

Fico por aqui e [ ] a todos.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: